Olá, amigos!
Começo minha participação neste blog falando sobre o que fez me tornar músico e roqueiro: o primeiro Rock in Rio. Como este ano teremos mais uma edição, pretendo aos poucos comentar as edições passadas e depois falar sobre as atrações do próximo.
Para quem não sabe ou não viveu a época, o Rock in Rio foi um festival de rock acontecido no Rio de Janeiro! Sério, é verdade! Eu sei que quem vê hoje Ivete Sangalo cantando em Lisboa sob a marca Rock in Rio pode não acreditar em mim, mas juro que é verdade.
Naquela época, shows internacionais no Brasil eram mais difíceis de ser vistos que o Cometa Halley (outro assunto muito falado na época)...de repente, do nada, vários artistas de nome, no auge da carreira, desembarcariam no Brasil para um mega-festival. O rock nacional estava estourando também...Que sonho!
E tem mais...grande parte dos shows foi trasmitida ao vivo pela Globo, é mole? Bons tempos...
Vamos ao que aconteceu:
Primeiro dia: Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Baby e Pepeu, Whitesnake, Iron Maiden, Queen. Por aí já da pra perceber que a seleção era um tanto aleatória, mas só pelas 3 atrações internacionais já valeria o festival inteiro. O Whitesnake foi escalado de última hora para substituir o Def Leppard e fez um show magnífico..Iron e Queen dispensam comentários.
Segundo dia: Ivan Lins, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Al Jarreau, James Taylor,George Benson. O dia light tem mpb, jazz, pop, etc...ótimas atrações para um público diferente da primeira noite, com um belo show de James Taylor e o mestre George Benson sempre impecável.
Terceiro dia: Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Blitz, Nina Hagen, Go Go's, Rod Stewart. Três das bandas mais promissoras do novo rock brazuca, a maluca Nina Hagen chamou a atenção de público e crítica, as desconhecidas Go Go's praticamente passaram em branco e o velho Rod desfilou uma seleção de hits dignos de um "the best of".
Quarto dia: Moraes Moreira, Alceu Valença, George Benson, James Taylor. Noite tranquila, público um pouco menor, bons shows de Morais e Alceu, apesar de muita gente nunca saber qual é qual...e George e James impecáveis como sempre.
Quinto dia: Kid Abelha, Eduardo Dusek, Barão Vermelho, Scorpions, AC/DC. Nem preciso falar que Kid Abelha e o Dusek não foram bem recebidos pelo público, né? Scorpions e AC/DC fizeram shows antológicos.
Sexto dia: Paralamas do Sucesso, Moraes Moreira, Rita Lee, Ozzy Osbourne, Rod Stewart. O cara que montou a programação desse dia deve ter sido internado logo depois, que salada! Paralamas segurou a bronca, Moraes e Rita cumpriram tabela...Ozzy tava gordo, a voz não estava lá essas coisas...mas quem se importa? Era o Ozzy! E o Rod cantou pra quem ficou lá pra ver, já que o público do Ozzy se mandou depois do show.
Sétimo dia: Alceu Valença, Elba Ramalho, Al Jarreau, Yes. Muita chuva, lama e o Yes para fazer tudo isso valer a pena. Eles estavam entrando na fase pop-progressivo, muitos fãs torceram o nariz, mas fizeram um show magnífico.
Oitavo dia: Kid Abelha, Eduardo Dusek, Lulu Santos, B-52's, Go Go's, Queen. Noite new wave com o Queen pra fechar depois. O destaque ficou por conta do Lulu Santos dizendo que as bandas gringas estavam sabotando as brazucas no som...realmente a qualidade de som era inferior, mas como se o Queen precisasse disso, né?
Nono dia: Baby e Pepeu, Whitesnake, Ozzy Osbourne, Scorpions, AC/DC. Na noite mais pesada sobrou pro Pepeu segurar a onda de abrir o show, o que fez com muita competência com sua guitarra. De resto, um show melhor que o outro, noite histórica!
Décimo dia: Erasmo Carlos, Barão Vermelho, Gilberto Gil, Blitz, Nina Hagen, B-52's, Yes. Para coroar o que foi o Rock in Rio, a noite teve um pouco de tudo, todos já haviam passado pelo palco em noites anteriores e coube ao Yes a tarefa de fechar o festival com chave de ouro.
Entre erros e acertos, é inegável que foi um festival único e histórico. Tivemos mais dois no Brasil, outros em Lisboa e Madri...esse ano teremos outro aqui...mas nunca mais haverá outro Rock in Rio como o de 1985.

Um comentário:
Maravilha este artigo.
Parabéns!!!
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